Mensagem | Manuel Canaveira de Campos
Acabei de receber a carta aberta neste final de manhã do dia 18 de dezembro, comunicando a retirada do Estado Português da Cases. Espero que ainda chegue a tempo de manifestar a minha viva repulsa por tão grave atentado contra o cooperativismo em Portugal.
Fui o último Presidente do Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo, nomeado pelo Governo Português, em 1990 e afastado do serviço em 2008 por limite de idade.
Fui co-organizador do
- 1º Congresso das Cooperativas Portuguesas - Lisboa (1999);
- 2º Congresso das Cooperativas Portuguesas - Santarém (2004);
- Organizei em Lisboa a Filcoop 1993 e a Filcoop 1995 - Feiras do Sector Cooperativo.
Fundei e dirigi a OCPLP – Organização Cooperativista dos Países de Língua Portuguesa – Fundada em Lisboa em 1992 por ocasião do 2º Encontro Cooperativo dos Países de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe. Constituída por escritura pública em Lisboa, a 11 de Julho de 1997, com a presença de representantes oficiais dos referidos países e ainda do representante da resistência timorense. Timor Leste tornou-se membro de pleno direito após a independência.
Até 2006 a OCPLP reuniu-se nos seguintes Encontros Cooperativos dos Países Lusófonos: Lisboa-1991; Lisboa-1993; Rio de Janeiro-1997; Praia (Cabo Verde)-1999; Maputo-2001; Praia (Cabo Verde)-2003; Luanda- 2006.
Organizei a III Conferência Europeia de Economia Social – Lisboa - 1 a 3 de Abril de 1992. (Esta conferência integrada no Programa da Presidência Portuguesa da União Europeia, foi a primeira a decorrer no Centro Cultural de Belém). Participei em diversas outras conferências europeias de economia social: Roma-1990; Bruxelas-1993; Sevilha-1995; Birmingham-1998; Gävele (Suécia)-2001; Salamanca-2002; Cracóvia-2004.
Organizei o Seminário Europeu "Desenvolvimento local e economia social" – Santa Maria da Feira – 6 a 8 de Abril de 2000, integrado no Programa da Presidência Portuguesa da União Europeia.
O que acabo de referir pretende tão só recordar a importância das cooperativas portuguesas e do Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo na difusão e desenvolvimento cooperativo em diversos países do mundo, nomeadamente nos países de língua portuguesa. Foram laços de amizade que se reforçaram por fortes vínculos jurídicos. Agora bastará a presença de importantes opiniões que pouco ouviram falar de cooperativismo, para destruir todo um trabalho que se construiu e agora se passa a desconhecer .
Espero que após as recordações no plano internacional, outros venham falar do trabalho feito no nosso país e nos apresentem o que é o cooperativismo em todas as suas áreas de atuação.
Muito se tem falado das grandes áreas de ação em que o cooperativismo português se tem evidenciado.
Será que alguém se atreve a aceitar a opinião dos grandes políticos, quando tomarem decisões sem conhecerem o resultado de quanto tem sido feito?
Por mim reconheço, com tristeza e preocupação, que bem poucos conhecimentos os nossos atuais políticos manifestam nessas áreas.
É quanto me permito trazer à memória dos cooperativistas portugueses e de todos os portugueses para que tenham consciência do valioso trabalho das cooperativas portuguesas e levem a quem de direito a grande força da tradição cooperativa em Portugal, para que o futuro do país se construa nas boas práticas da liberdade, da igualdade e da fraternidade, bem presentes no ideário e na prática cooperativa.
Com um grande abraço solidário e a fraternidade cooperativa
Manuel Canaveira de Campos